domingo, 15 de março de 2009

MÁSCARA DA ALMA - BETO PETRY - Prêmio Nacional da VIAGEM NESTLÉ PELA LITERATURA - com alunos do CEEC de Matelândia/PR.

MÁSCARA DA ALMA

(BETO PETRY)

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? / Talvez mesmo eu já esteja usando uma para evitar conflitos mais amplos, como o de Nova York, atchimm! / Mesmo que ela em meu rosto sorridente choroso não se ajuste (e nem na personalidade) / Posso ser um judeuzinho que se acomoda ó ó ó! E aceita tudo o que lhe é tirado ou dado como no livro / Em pêlo com a Iracema, balançando-se na loja “pra balanço fechada" / Então serei um lojista assim na Paulista, ok? / Ou em Foz do Iguaçu em meio aos papa-mandiocas do Paraguai / Eu aquele ah ah ah! E que pensa só no que poderia ter sido, no Noel Nutels, (ou no Che Guevara?) / No que poderia viver no livro-vida que passa / Enquanto diante da Telinha novelando à noite apenas passam ... / Me alugo viajo assim (da Rússia ao Brasil fugindo de mais outro Pogrom, do Nordeste pro Sul / Da Itália, de Portugal, do Rio Grande do Sul pro Paraná, atrás de futuro como os pioneiros) / Penso não vivo, ou será? Como o Noel Nutels que burlou inconvenientes / E dos índios foi solidário cuidar (e eles, como hoje, a sucumbir por lá) / Em plena Ditadura Militar, antes de acabar como o Brasil: “ na merda e cercado de Generais" / Brasileiro, que máscara quereis que eu use? Ai ai ai meu coração! Melhor tolerar / Selvagem manso sou, com a vida roubada pelos da Esquadra-Igreja desde Cabral: / Anchieta escrevendo poemas na areia! Anchieta o grande e eu o pequeno sem poemas / E fingir ainda estar de bem e adotar o mesmo Deus, logo eu, panteísta discípulo da natureza / E sendo a minha música sagrada “ Amor de
Índio" - do Beto Guedes, mas com o Milton / Axé, Aleluia, Tupã seja louvado!... e Jesuscrissantambém!

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? (depois de queimar índios vivos na praça) / Saio então na rua de cara-de-pau pintada / Peço a cabeça de um político meu parente metido a bonito / Tudo pela vontade popular sagrada, que votou e elegeu o safado / E o povo quer ir para o Céu neste Brasil mesmo assim / Segue tilintintim dizimando R$... / E deve morrer para isso, e se morrer não pode mais ser escravo da própria estupidez (ou da elite dominante?) / Destino triste! (“ todo mundo quer voar nas costas de um homem bom") / Vôo e na hora de explodir apareço de máscara (senão as crianças-anjos se assustam) / Deixem-me então aqui falante (como o paciente delirante amigo do Nutels) / Ai essa minha Pátria tão ampla e cheia de exploradores (que fisgada no peito!) / Nação, que será de ti nas mãos de um Poder eqüidistante? (máscara já nisso tudo!. .. e no Congresso junto reunido!) / A liberdade pode acontecer na esperança de tanta espera no país-continente / A pobreza que se acumula um dia vai sim ser contemplada sei / Todos livres da fome em sonhos e o Renato Russo sem mais motivos para morrer down / Abaixo a burocracia tropical! / Máscaras, papéis e agora essa de projetos (para não se perder tempo com ações, quá, quá, quá!) / Eis-me à mercê de quem governa por eleição para si mesmo / Más caras, haja máscaras nisso! O negócio é conviver, pois na guerra é bem pior! / Eu estou de bem com a Cúpula de vez, pois sou um mascarado / De bem com a liquidação de minas, florestas, energias, terra, ar e água potável ( fora com o discurso da esquerda!) / Com quem não está de bem eu fico de mal, e até xingo / Sim, somos livres, liberdade à vista no mundo de mascarados! / Prazer imenso isso: fingir que não vejo o que vejo, não assisto o que assisto / E que nem cito o que cito (fingir robusto atrás desta minha máscara, senão Mão Negra... (ou Verde Amarela?) zapt!

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? “ Navegar já não é preciso; conviver é que é preciso" / Alô alô todo mundo: “aquele abraço!“ / Não minto, apenas omito, mas se “ eles" quiserem, sei fazer / Roubar talvez, para casar, roubar uma santa para ser feliz com a minha santa / Felicidade falsa? Não digo, pois não ouso de máscara / Para evitar o choque ligo-me: de fato, os mandantes estavam certos / Mas que devo fazer para ganhar uns trocos? / Tudo pode ser apenas fantasia, mas e o bucho? Fantasio a vida para não cair na real / Serei mocinho ou vilão ou mocinho-vilão: um santo carregando a sua cruz / Em pleno padecimento para acabar depois Callado o romance em final feliz / Roubo a Madona e o coração do meu amor, simples como um aperto de mão, né? Ôba!! / E quantas mãos terei ainda que apertar? (para convencer o mundo terei que a roupa tirar?) / Pois é lá que posarei de Adão, em frente ao P do planalto / Não me censure, são apenas máscaras, escondem-me de sofrimentos / Perdoe-me!, apenas eu, quem sou eu? Mostro a minha cara e ninguém mais reconhece, nem eu / Rei demente povo tirano favelado: / Presidente, ainda te respeito, apesar de... serei o que preciso for; mas cuidado com a minha dignidade, por favor!

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? / Viver por uns segundos e sofrer eternidades! Brasil, tenha pena de mim! Não quero ser outro “ Kome quase" / Ter ou ser, nesse dilema? A máscara amarga da ambição que Paulo Honório movia e move mundos / A máscara das injustiças, da assombrosa tristeza que rodeava Madalena em sua impotência / Eu junto nisso tudo como em romance, e que máscara? / A máscara da corrupção que não pára, da fome, da miséria; calo-me sem reivindicar ou para? / Devo acabar com "corujas" que nos ameaçam, como na Fazenda São Bernardo? / Ah, para ter poder mascaro-me e depois busco-me no espelho / Em meio a tantas máscaras nem sei mais qual, mas uma escolherei para sobreviver a mim / Devo aceitar a ambição como coisa normal? Sim, senão fuzilam-me sim / Que máscara? A de um doentio ciúme? Devo matar-me, como Madalena, vítima do ter nesta vida? / Por não ver o triunfo do ser? Isso ou o quê, para conviver? / Não, apenas evito o choque, digo e rezo mil vezes: que fazer?! !

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? / Brasileiro, que máscara quereis? A máscara da impunidade, da mentira, da corrupção? Pois bem! / Onde a máscara perfeita? Onde a perdida? Perfídia! Em que espelho minha face tão doída? Eu sem eu aqui, e os meus sonhos em que noite? Afundando como Titanics em mar alto / Ou barcos, que ondas levam para nunca mais, como nos poemas de Cecília a naufragar / Devo deixar de sonhar? Rendo-me então ao Sistema e pena / Para conviver sem fazer cena, faço como no poema e sem nem valer a pena / Pergunto ao eu outro: máscara perdida onde estás? / E mal me avisto na revista / Escondido dos pensamentos: só mascarados à vista! / Busco em sonhos respostas: tormentos! / Máscara encarnada, intacta ao vento / Máscara perdida, em música embalada, máscara má, morta ou viva achada? / Não, ressuscitada! / Encarnada em sonhos-lamentos, paro e penso exclamo: / Oh, máscara perdida encontrada da vida que levo para poder ser, vir ver e dizer que amo!





Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? / Máscara para ver e não / No Sul, Norte, Nordeste, Sudeste: máscaras para conviver e arejar / "Minha Pátria é minha língua", vamos juntos cantar! / Defendo o Tupi-Guarani no "latim em pó" da "Lusamérica", e daí? / Nacionalista agrícola dou uma de Policarpo, conformado já com a traição do Marechal / Claro, para não ser fuzilado ah ah ah! Finjo-me de louco, assimilo injustiças / Sou agora da TV de coração, fã de anunciados: futebol e secos & molhados (ligo e dôo risadas) / Rodo feito pião na realidade a rodar, mascarado claro, sempre! / Chispa da frente! Vou honrar o país, e que ronque a barriga! / Para evitar que se levantem falsos testemunhos, uouooouuuuu! Haja máscaras nisso! / Em continência: "Pátria amada, Brasil!" / Um dois, um dois,... ninguém agora me fuzila mais e nem cogita, sou do Clube / Faço-me de Padre para concordar com a hipocrisia: “a paz do Senhor! “ (sou bispo do xadrez eh eh eh!) “Nomdopaidofidospritosantamém!" Viva Guimarães Rosa! Viva Jorge Amado e Lima Barreto amado seja / Mulato humilde que leio e decoro, pois nele a realidade vibra brilha, além do preconceito / Viva as igrejas e o Governo juntos em oração na mesma trilha! / Para exorcizar todo o mal, porca pipa!, e para tampar o sol com a peneira / O que mais eu farei? Já sei! Sou agora um vampiro, como políticos por aí, sugo riquezas e pimba! (para ilhas)

Más caras, mas cara doeu, máscara do eu; mas cara, que máscara agora uso eu? / No fundo-alma eu queria mudar o mundo; não assistir de cima do muro, como em Ideologia Cazuza / Espelho-me em Robin Hood, em plena máscara / Furto dos Reis e Príncipes para dar a pobres, e extermino os antibem / Elimino num poema o terror e a inveja / Formulo hipóteses utópicas ao Novo Mundo de Imagine: Ei, ei John, dedo em V in the world! / Esclareço desesperos e teimosias / E sigo ereto como um falo no cio do macho e falo: - Sou Golias para demonstrar força, e não calo! Pssiu! / Dói o calo, e na própria exposição de máscaras todas renuncio se preciso, viu? / Tiro a máscara da alma sem um tiro e sorrio preciso / Em nome nem que seja de lampejos da verdade por aí! / Desde que esta sobreviva no destino da raça humana em seu universo $ocial corroído / "Ne dali konchit! “

FIM


(Poema premiado NESTLÉ - ano 2001 - por BETO PETRY & Alunos do Ensino Médio – C. E. E. C – 3ª Série C – Período: Tarde)


PAPO DE PAPAS, NA LÍNGUA.

Eu lendo. O que é isso? A saúde da alma ocupa médicos? Eu deveria acho montar hospícios! Vem aquele homem pulando da página e me fala: cálculos não são precisos! Onde se viu meter todos os loucos juntos na casa? O único louco aqui é você, eu grito. Ele responde calma, o louco não sou eu, mas o Joaquim Maria pai amado dos livros em minha frente, como no poema de Mário velhos parentes a tirar a chapa para comer.
Acho que seria bom dormir, que dias! Internam-me, mas nesse mundo hospício quem agüentaria ser normal? Ah, seu poeta! O sono é meu, oras, TV e apresentadores dão sono. Melhor ler ou duplas sertanejas? Personagens vêm ter comigo. Machado pássaro, batia asas e ainda bate. Respondo? Eles são que tipo? Criança, acordo ao canto do passarinho.
Tomar chimarrão e cuspir verde no chão. Um pássaro? O ciúme satisfaz-me, poema. Que conto! Canto! "Dizem que sou louco..." em mim, canções. Contorço em lirismo a gozar o amor!
Descreio dos homens, dos escritores, dos... Bispo vem lá de Jesu Ouro falar que exagero. Não e nunca! Viraria prefeito, perfeito D. Evarista! Eu, bom homem na política dos pecados do mundo? "Mamãe não quero ser prefeito..." claro, Raul! Papo do Papa pop... Pra falar a verdade, nem cem Papas. Papar? Papa só essa: moça bonita, daquelas na rua a atrair olhos. Venancinha!!
Amor à vista? Dê prazo! Machado louco! Ele a criou, qual louco criaria lindo assim? Mas Van Gogh… Fiquem quietos! Deus meu, contos! O alienista vem intrometendo-se, louco é quem tem idéia; não quem está dentro. Na teoria do medalhão, um medalhão completo não tem idade. Há infinitas carreiras diante de mim. Mal entendo. Já vem D. Paula desesperada: todos separam! Não mais separação. Escorre-me o nariz: imagens de despedidas derramadas... Mamãe, papai, vocês tiveram-me; e eu? Lennon en-canta Mother ainda, lá de suas cinzas. Dança, caos atônito!
Quando tudo desaparece, acalmo. Cantigas loucas sem fim, o céu perto, arco-íris, poesia-luz... Homens célebres, sinfonias: Beethoven, Mozart... pianos, anos! Parem de linguar, as idéias confundir! Seus ambíguos! Conto: primavera em poema é melhor, e pessoa amando.
Pergunto-lhes: estão preparados? Respondem sim. Solto o verbo: ouçam contos e poesias, os casamentos vão mal, os casais sem versos não se amam já mais, o dinheiro prevalece, a juventude prostituída decai, mortes de doenças, abortos... As pessoas tiram-se a vida como eletrodomésticos da tomada. Religiões 10%, sem Deus! Vergonha de quê? Desemprego, fome, carência. Retrucam-me: nem Deus tem o direito de tirar vidas. É mentira! Poupe-nos! Pudesse eu sumia. Tristeza! Vocês estão seguros, sem riscos de tiros na rua, nas favelas, no Iraque, MST...
Não levamos tiros? Temos finais trágicos. Loucos escritores a realidade descontam em nós também. Quem vive sofre mais, na real idade mal dita! Tudo e todo mundo passa certas situações, até a lua no céu só, em cantiga de roda a chorar. Pessoas nos lêem; molham-nos lágrimas. Viveram algo parecido ou pensam que são felizes, e tocados pela poesia de vida vêem: “Não há remédio às dores da alma”. Na razão clássica das faculdades, viva o sonho sem insânia!
Acordem! A corda! Acordemos, mundo de ignorância! Realidade dura; coração mole! Não se vive sem os sonhos dos outros também, cada um leve a vida como achar, na moral-mor. Neste mundo as pessoas querem ser muito “iguaizinhas”... Ah, eu adoro a diferença de ser feliz!
Felicidade, quem vai nos separar? Quem mais se interessa por nós? Anos em prateleiras, bibliotecas. Nos pegam pela capa e nome, muitos nem querem saber que somos palavralma.
Ai que sono, aí é de noite? Respondem não. Sonho? Visão? Poesia de romances? Louco falo com verso? Rimo bem, meu, bem! Jaz zen, paz faz querer bem... Conto um, apareça! Dois? Medalhão, dialogar com papas na...? Bate-papo e papa. Pá lavras na terra: linguagens. Verdade ou não, alimento do espírito, a Palavra! Nós textos, coração! Sorrir real mente mesmo sem cem papas. Einstein, que língua! Rio, ... , ria!!!

(Texto classificado entre os 50 MELHORES do Brasil, por BETO PETRY & alunos da primeira série D, tarde, com as meninas geniais do convento, C.E.E.C de MATELÃNDIA/PR – Viagem Nestlé Pela Literatura – texto semifinalista entre mais de 13.000 concorrentes, segunda vez que BETO PETRY é contemplado neste concurso nacional – ANO 2005. )

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